Postagens recentes

quinta-feira, março 23

Aproveite

Um dia desses surgiu uma postagem na linha do tempo do Facebook, o título era: "relato sobre ausência paterna viraliza nas redes sociais"  e eu resolvi abrir, li e compartilhei na minha página, depois disso fiquei pensando, e é pelo resultado de tudo que pensei que estou escrevendo este post, veja bem, o que vou dizer não é uma verdade absoluta, não são todos os casos iguais, apenas quero passar a minha visão e aprendizado, ok?
Blog Dá um Zoom | Texto
Eu sou filha de um pai ausente. Quando eu tinha por volta dos quatro anos meus pais se separaram, no começo era tudo lindo, o via todas as semanas; depois de alguns meses as semanas começaram a se intercalar, e depois a se espaçar cada vez mais, até que aos meu sete anos eu praticamente não o via e foi quando ele "sumiu" pra mim.
Tem de se entender que o vazio foi gradual, então eu talvez já estivesse me acostumando com aquilo, mas ainda assim sofri, mesmo que sem perceber muito, acho que na verdade uma criança não entende muito bem os próprios sentimentos. Minha mãe sempre deixou muito clara a situação em relação à tudo, desde financeiras até coisas como essas - e eu realmente agradeço, hoje tenho uma noção de tudo que vocês não tem ideia - então aquilo não era uma bizarrice que eu poderia estar tirando da minha cabeça e eu sabia.
Algumas páscoas eu recebia alguns ovos de chocolate dele, ou uma ligação em um aniversário aqui e outro lá - que na verdade eu só me lembro de uma. Mas a presença mesmo nunca houve, só quando aos doze anos eu resolvi ir atrás, porque acho que todos queremos conhecer nossos pais quando já entendemos melhor as coisas, e não tem problema querer isso, sabe? Na verdade acho muito natural, acho que você precisa fazer o que sente que precisa, e se depois resolver que se afastar é a melhor coisa, então se afaste, eu mesma já fiz isso. Mas sabe no que tudo isso resultou? Em um maior e importantíssimo aprendizado.
Blog Dá um Zoom | Texto
Não foi instantâneo, mas eu aprendi o real significado da tão famosa frase "pai é quem cria, não quem põe no mundo", porque eu tive a verdadeira sorte de além de ter uma mãe que valia por mãe e pai, também tive um vô que me criou como filha, descobri que o meu pai na verdade tinha sido ele, que me levou de cima a baixo, me ensinou das coisas mais bobas até grandiosas - aliás, parte de eu querer ser arquiteta sempre veio por conta dele -, me disse não e brigou comigo infinitas vezes e quando eu precisei sempre esteve ali, e talvez eu já até soubesse disso no meu inconsciente, afinal, era pra ele que eu dava meus presentes de dia dos pais, desses que a gente faz na escola.
Por que eu tô falando tudo isso? Porque eu resolvi colocar "no papel", porque eu sei que, infelizmente, muita gente passa pela mesma coisa, porque eu sei por experiência própria que uma pessoa pode passar boa parte da vida acreditando que o problema é com ela, que é por conta dela ser quem é que o pai não quer estar ali, e eu preciso dizer: não é, o problema é dele, dentro da cabeça dele.
Se você passa por isso, pare de se culpar, aproveite sua vida da melhor maneira com aqueles que ficaram, que estão ali todos os dias pra você, pode não ser um avô, mas um tio, tia, seus padrinhos ou até mesmo gente que nem da família é! Sabe por que? Porque quem tá perdendo é quem te deixou pra trás, não você. 
Então agradeça pelos que ficaram e fazem de tudo pra te ver feliz, te ensinar, motivar, porque pai não é aquele que tá ali no teu documento - ou as vezes nem ali - e sim aquele que vai te ensinar a dar um nó, te desejar boa sorte numa prova, falar pra tomar cuidado no caminho, sentar e pacientemente te ensinar a jogar um jogo e até mesmo ficar horas sentado no sofá assistindo um dos seus desenhos favoritos, tudo isso sem pedir nada em troca, apenas fazendo porque te ama, e eu preciso dizer: aproveite. Meu avô morreu a quase cinco anos e vocês não tem noção da falta que me faz, do quanto eu queria poder ter aproveitado mais, por isso eu repito, por favor, aproveite essas pessoas.
Eu realmente espero que você tenha tirado algo disso, que se não passa por isso, talvez envie pra alguém que passe porque a pessoa pode precisar ouvir - ou no caso ler -, agora vou terminar esse texto porque já nem enxergo mais de tanto que tô chorando, por isso, mais uma vez eu peço: aproveite.
Sophia Cuñado

comentário(s) pelo facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário